Quem não faz sentido somos nós.

Não é muito engraçado ler que a capital da Holanda é AMESTERDÃO? Que ao lado do Iraque tem o IRÃO, cuja capital é TEERÃO? E que, saindo do Irão, é só cruzar o golfo para chegar ao OMÃO?

Também tem aquela cidade próxima de Amesterdão, ROTERDÃO. E aquelas ilhas no Pacífico que pertencem aos Estados Unidos, as Ilhas GUÃO.

Eu sempre achei que eram os portugueses que deixavam os nomes dos lugares mais engraçados. Aí esses dias me peguei pensando: será que são eles os que não fazem sentido? Ou será que somos nós brasileiros?

Pensem. Falamos Japão, não JAPÃ. Paquistão, não PAQUISTÃ. Sudão, não SUDÃ. Gabão, não GABÃ.

Ei, quem não faz sentido somos nós! Eles padronizaram todos os nomes, e nós é que estamos nessa bagunça de terminações.

Aí alguém pode argumentar: “Mas portugueses não falam VIETNÃO. Taí a exceção à regra”. MAIS OU MENOS. Porque eles também não falam Vietnã, e sim VIETNAME.

Isso eles não incluem no acordo ortográfico. Mas tirar o acento do “pára”, que era realmente útil, AÍ TUDO BEM, NÉ?

2 respostas para Quem não faz sentido somos nós.

  1. Anoca disse:

    Quando a gente pensa em língua, não dá para pensar em unidade fonética. :) Nesse caso de Irã/Irão, o aspecto fonético interfere na grafia do nome Irã/Irão nos dois países.

    Não há muitos estudos sobre isso, mas esse nome que cada país resolve dar a outros lugares é chamado de EXÔNIMO. A rigor mesmo, o nome do lugar (Irã ou Irão) é um nome persa, com uma pronúncia que fica no meio das duas pronúncias (brasileira e portuguesa). É um “an” menos nasal que “ã”, com o A aberto, tipo o do espanhol, e com a articulação da consoante N no final da palavra. Isso dá um aspecto fonético que nem é Ã nem ÃO, mas algo como ÁN e, portanto, mais próximo da pronúncia original, em persa.

    Como cada língua cria, na maioria das vezes, um novo nome dentro das possibilidades vernáculas, isso cria o fenômeno dos “exônimos”. Por exemplo, aqui chamamos de ALEMANHA o que, na verdade, foi originalmente chamado de DEUTSCHLAND (e, no inglês, eles resolveram chamar de GERMANY); assim como chamamos PEQUIM algo que os chineses chamam BEIJING. :)

    Para os casos de JAPÃO e VIETNÃ que você também citou, o que acontece é que, em japonês, NIPPON tem esse ON no final, né? Daí é bem próprio que nós busquemos a pronúncia mais próxima, que, em nosso caso, tanto no português de Portugal quanto no do Brasil, se faz com o ditongo nasal ÃO. :) Para VIETNÃ, a pronúncia vietnamita articula o M ao final, da mesma maneira como, no inglês, o M da palavra “comfort” deve ser aticulado. Como essa articulação do M em posição final de sílaba não é possível no português, o Brasil optou por nasalizar o A, uma vez que as consoantes nasais têm essa função no português, quando fecham uma sílaba (CAM-PO: [‘kã.pu]; TAN-TO: [‘tã.tu]). Em Portugal, eles preferiram colocar o M como consoante inicial de sílaba e, para isso ser possível, se fez necessário colocar uma vogal, porque as vogais são “a alma das sílabas”. Daí, então, por lá eles colocaram um E (Vietname), mas poderiam ter colocado um “I” e, assim, poderiam ter colocado um circunflexo no A, uma vez que a palavra “Vietnâmi” seria uma “paroxítona terminada em I”. :D

    Entre mortos e feridos, entre os com sentido e os sem sentido, tudo e nada fazem sentido, porque as línguas são organismos vivos. <3

    Acho que terminei. :P

    No mais, estou totalmente de acordo com o acento agudo do PÁRA.

    :*

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