O GRE-NAL DO SÉCULO

A vitória, garante Nílson, começou três dias antes, no primeiro Gre-Nal das semifinais, no Estádio Olímpico – empate em 0 a 0. Um fato importante envolveu o zagueiro uruguaio Trasante, e o astro colorado Maurício.

“O Trasante estava batendo demais naquela noite na tentativa de intimidar o Maurício. ‘Acá mando yo’, gritava o jogador gremista. E seguiu batendo. Quando entramos em campo, no Beira-Rio, o Maurício chegou ao lado do Trasante e, apontando para aquele paredão vermelho nas arquibancadas, devolveu: ‘Acá mando yo.’ Aquilo serviu para intimidar o gringo.”

Era 12 de fevereiro de 1989, em partida válida pelas semifinais da Copa União (o então Campeonato Brasileiro de 1988). O jogo de ida, no Olímpico, havia acabado 0 a 0. O Inter, por possuir melhor campanha, tinha a vantagem de 2 resultados iguais e mais o empate na prorrogação – o que acabaria não sendo necessário.

Luiz Alfredo, com comentários de Juca Kfouri, narrava o jogo pela Globo para o Brasil inteiro, dada a importância do clássico. Ainda nos dias que precediam o jogo, denominaram-no de GRE-NAL DO SÉCULO. A sua importância era clara: o vencedor chegava à final do campeonato nacional e também à Copa Libertadores.

Baixei o jogo pela internet e o assisti inteiro. Muitas coisas a se notificar. Primeiro: as diferenças para com o futebol atual. A possibilidade de se recuar a bola para o goleiro deixava o jogo truncado, por vezes. O juiz não dava desconto ao final dos tempos: eram 45 minutos exatos para cada lado. Facilitava o fato de os jogadores, mesmo ganhando o jogo e precisando que o tempo corresse, não fazerem cera. Até mesmo o fato de serem permitidas apenas duas substituições em cada time, ao invés de três, deixava o jogo menos parado.

Destaque para as placas de publicidade. “CHUTEIRAS TAFFAREL”, mostrava a mais central. Devia ser muito barato. E para a declaração do narrador: “O treinador da Seleção Brasileira, Sebastião Lazaroni, está no Beira-Rio para observar dois jogadores do Grêmio: Cuca e Alfinete.” Juca Kfouri completa: “E também deveria observar o volante Norberto, do Inter.” Olha, depois do papelão da Copa de 90…

Aliás, depois do jogo ia passar na Globo O QUARTETO MAIS ENGRAÇADO DO BRASIL. Ou seja, Os Trapalhões.

O JOGO

A partida começou equilibrada, com os dois times jogando no clássico 4-3-3, conforme a disposição abaixo.


Ainda no primeiro tempo, aos 25 minutos, o Grêmio abriu o placar com Marcus Vinícius. E aos 38, o lateral Casemiro, do Inter, foi expulso após falta violenta. Péssima situação para o segundo tempo dos colorados: derrota parcial de 1 a 0 e um jogador a menos. E foi aí que entrou o estrategista e futuro campeão do mundo ABEL BRAGA.

Abel fez uma mudança arriscadíssima: mesmo com um jogador a menos, retirou o volante Leomir e colocou o atacante uruguaio Diego Aguirre. “Ele está louco. Estamos perdendo e ele vai abrir ainda mais o time. Seremos goleados”, pensou o atacante Nílson. Pois a mudança deu certo. Utilizando praticamente três linhas de três jogadores, onde Nílson fazia a ligação do meio-campo com o ataque, conseguiu neutralizar os contra-ataques do Grêmio e atacar com freqüência.

E foi nessa formação que o agora meio-campo Nílson fez os dois gols da vitória, ainda na primeira metade do segundo tempo.

No resto do jogo, ambos os times tiveram muitas chances, mas ninguém conseguiu marcar. Maurício foi substituído quase no final e atravessou o campo fazendo aviãozinho. A defesa milagrosa de Taffarel no último minuto sacramentou a vitória do Inter, que não vencia há 7 grenais. Inter na final da Copa União e na Libertadores. Mas sobre os finais dessas outras histórias eu não quero falar.

Ficha técnica:
Internacional 2 x 1 Grêmio
Data: 12/02/1989
Internacional: Taffarel; Luiz Carlos Winck, Aguirregaray, Nenê e Casemiro; Norberto, Leomir (Diego Aguirre) e Luís Carlos Martins; Maurício (Norton), Nílson e Edu Lima.
Grêmio: Mazarópi; Alfinete, Trasante, Luís Eduardo e Aírton; Bonamigo, Cuca e Cristóvão; Jorginho (Reinaldo Xavier), Marcus Vinícius e Jorge Veras (Serginho).
Local: Beira-Rio.
Arbitragem: Arnaldo César Coelho.

Para finalizar. Minha memória pode estar me traindo, mas este talvez tenha sido o primeiro jogo de futebol que vi ao vivo na televisão em minha vida.

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