DOCUMENTOS

Como perder tempo em sua vida, por Gustavo Mantovani.

Fui convidado pela Bia para ir ao Bell’s. “Irei”, pensei. “Pegarei o carro da minha mãe emprestado”, continuei pensando. Peguei a chave e os documentos do carro de dentro de sua bolsa. Coloquei a chave no bolso esquerdo da frente e os documentos no bolso de trás, junto com a carteira. Fui até o prédio ao lado de casa, onde fica estacionado o carro, entrei no mesmo e me dirigi ao lugar combinado. Chegando lá, estacionei no Largo da Epatur, prometi alguns trocados pro flanelinha (não dei) e caminhei alguns passos até o Bell’s. Papo foi, papo veio, o tempo passou, e eu decidi ir embora. Voltei ao carro, saí discretamente para não chamar a atenção do flanelinha e fui pra casa. Alguns minutos de trânsito. Deixei o carro no prédio já citado. Entrei em casa. Peguei as chaves e as pus de volta na bolsa de minha mãe. Fui pegar os documentos e….

*21:30 – perda de tempo mode on*

…não os achei em meu bolso. “Será que estão no outro bolso?”, pensei. Também não. Nem no outro. Nem na última opção – o outro. Comecei a raciocinar. “Quando os documentos cairiam do meu bolso? Quando eu tirei a carteira dele. Os documentos devem ter vindo junto com a carteira no atrito e caído em algum lugar”. Primeiro pensamento: “deve ter caído no carro”. Peguei uma lanterna, fui até o prédio vizinho, abri o carro, procurei no banco do motorista, no do carona, no banco de trás, embaixo dos bancos, no porta-luvas, na porta, na sacola de lixo, embaixo do rádio, atrás do extintor. Procurei também no chão do estacionamento, nas escadas do prédio, na calçada, na frente da minha casa, no caminho que leva até a porta. Nada. Estava de volta em casa. Segundo pensamento: “deve ter caído no bar”. Liguei para a Bia, que ainda estava no bar. “Não tem nenhum documento de carro aí pelo chão?” “Não”. Ainda intrigado, fui até o carro novamente. E ainda com a a lanterna, procurei no banco do motorista, no do carona, no banco de trás, embaixo dos bancos, no porta-luvas, na porta, na sacola de lixo, embaixo do rádio, atrás do extintor. Liguei para a Bia novamente. “Pergunta pra Tia do Bar se alguém por acaso não devolveu documentos de carro no caixa.” “Ela disse que não.” Pausa para pensamento. “Se não foi nessas duas ocasiões, quando mais eu tirei a carteira do bolso?” Foi quando me deu um estalo. Quando eu estava me preparando para pagar algumas moedas ao flanelinha (não paguei), eu tirei a carteira do bolso no meio da rua. Bingo. Os documentos do carro caíram na rua. Não tive outra saída senão ir até a José do Patrocínio de novo para continuar a busca. Mais alguns minutos de trânsito e estava no Largo da Epatur novamente. Procurei no lugar onde estacionara anteriormente e nada. Falei com o flanelinha e nada. Voltei ao Bell’s e nada. Comecei a procurar no carro de novo. E nada. Então, sem nenhum motivo, resolvi DAR A VOLTA NO CARRO. Aquela clássica volta de quem está pensando. Enfiei a lanterna na janela e…. TCHÃ-NAN. Brilharam em meus olhos. Lá estavam eles. DENTRO DO TAPETE QUE ENVOLVE A BASE DO FREIO DE MÃO. Sim, no lugar mais improvável possível. Que só tinha ângulo de visão olhando pela direita do carro. Que achado. Agradeci o flanelinha (não paguei), entrei no carro e voltei. Pus o carro no prédio, subi as escada e cheguei em casa novamente. Peguei as chaves e pus de volta na bolsa de minha mãe.

*23:30 – perda de tempo mode off*

Peguei os documentos e coloquei-os também. Fui pra televisão. Já estava quase na hora de Family Guy.

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